9.8.04

Déjà Vu

Durante nossa conversa (a)fiada,
de pé de ouvido,
lembro instantaneamente de você
na exata imagem de agora
e que conversáramos
das mesmas coisas
tudo misteriosamente igual:
falas, figurinos, objetos de cena.
Alvos de meticulosa continuidade.
Como se tudo não passasse
da remontagem duma peça
originalmente encenada
num passado que remetia
ao mais recente segundo da eternidade inteira.

Saturado do paradoxo,
ouço as palavras trocadas
entre meu ouvido e sua boca (ou vice-versa)
soarem no agora e no antes (ou vice-versa).
Algum efeito especial (deux ex machina!)
-- um eco (eco) (ec.) (e..) (...) --
que desbobra o presente,
cortando-o em dois.

É como se o diálogo
flexionasse a espinha
para abraçar seu gêmeo
por sobre o muro que o cartesianismo
erigira na beirada do tempo.

Nítidamente visível,
o passado bisbilhoteiro
encara (cara a cara) (olho no olho)
o presente falastrão.
Mutuamente desconfiados
de vulgar plagiarismo,
sem coragem, contudo, de acusarem-se
tal a perplexidade
de encontrarem-se
nos termos
da efusão divertida
desta nossa palestra
embalada sob efeito de vodka(s).

Dose dupla sobre dose dupla. Excesso!

Guardo inteiro,
para cismas posteriores,
aquele dos dois instantes simultâneos
devido à falha técnica
(à faixa arranhada nos discos de minha memória).
O outro, que é de consumo imediato,
compartilho infinitamente contigo.

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A idéia p esse texto nasceu indiretamente de uma conversa q tive há nem tanto tempo numa mesa de bar. Falamos especificamente sobre déjà vus e de outras coisas q se sucederam rápida e absurdamente em gdes elípses (desde constatar q certo tiozão se parecia muito com o Seu Madruga até assuntos relativo ao Big Brother Brasil 2)... Isso foi tornando o diálogo crescentemente insólito (e divertido) até q já ríamos de nós mesmos.

Saí de lá com a decisão tomada de transfomar aquele diálogo (ou pte dele) num poema ficcional. Espero q o esforço não tenha sido apenas caos e cacofonia.

E paro de me explicar antes q soe como algum Carlos Argentino da vida (ontem reli o Aleph de Borges)...

Um comentário:

Angelina disse...

interessante! se fosse vc não deixava isso terminar em palavras... (falo de um curta, video-arte, essas coisas)

filme na cabeça >> não consigo pensar em algum exclusivo no momento, então vai juventude transviada mesmo (hehehehehehe) :P