13.7.05

Justiça Social

Tudo bem que os preços praticados pela Daslu são um verdadeiro assalto, mas daí a Polícia Federal mandar 250 pessoas para invadir o lugar é um pouco de exagero!
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E a Daslu -- quem diria -- é alvo de uma operação conjunta da Polícia Federal, Receita e Ministério Público. A suspeita é que a lojinha predileta do jet set brasileiro esteja envolvida em sonegação fiscal, contrabando e subfaturamento na importação de mercadorias.

De acordo com o noticiário sobre o caso, as importadoras responsáveis por trazer ao Brasil os mimos de luxo vendidos na a loja de Eliana Tranchesi são acusadas de montarem um esquema para declarar a Receita valores inferiores aos realmente pagos por suas mercadorias. Assim a turma toda conseguia um "desconto" no Imposto de Importação e no de Imposto de Produtos Industrializados.

A revelação do esquema Daslu é altamente simbólica por revelar as entranhas do que de mais exclusivo existe no mundinho dos privilegiados. A sonegação faz a sociedade subvencionar o multi-milionário comércio da opulência para os opulentos multi-milionários nacionais -- o very beautyfull and happy few, formado por menos de 1% dos brasileiros, que cultua o consumo no templo Daslu. O único direito que resta aos que ficaram de fora do clubinho é o deslumbramento frente as belezas e delícias entrevistas pelas ruas -- o carrão importado que passa rasgando, aquela mansão maravilhosa que fica no trajeto do trabalho -- e nas publicações especializadas em estilo de vida.

E a elite predatória ainda têm a cara de pau de fingir que não é com ela quando se fala no estado precário da infraestrutura pública. Pior, além de não fazer a parte que lhe cabe, ela faz campanha contra qualquer coisa realmente boa que o Estado faça pelos mais pobres. Foi o que aconteceu aos CEUs e aos Telecentros criados em São Paulo na gestão de Marta, projetos protamente engavetados por Serra sob a alegação de que eles seriam muito caros.

Para a elite, o povão só tem direito ao quantitativo. Qualitativo é excluisividade deles.

E o cinismo dá as mãos quando o dinheiro de mensalões
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A riqueza é menos brega. Gastaram US$ 20 milhões no prédio da Nova Daslu para ele ficar parecendo mais um templo evangélico que um templo do consumo. (Foto).

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Sei não. Mas parece que a decisão da PF em estourar a Daslu foi um desdobramento da prisão de José Adalberto Vieira em São Paulo. Só na Daslu o ex-assessor do irmão do ex-presidente do PT poderia ter arrumado uma cueca de US$ 100 mil. Não é que faz sentido?

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Cenas imaginárias memoráveis sobre a batida na Daslu:

1 - "Comprinhas é o caralho, madame. Tu teje é presa". De um PF com cara de poucos amigos para a socialite e empresária (nessa ordem) Eliana Tranchesi.

2 - "Mãos na cabeça e de cara pra parece". Desse mesmo PF dando batida nas dasluzetes enquanto o resto dos policiais faz fila para tirar uma casquinha "revistando" aquele bando de genérico de Paris Hilton.

Um comentário:

Luciana disse...

Os templos da Igreja Universal são muito mais chics.
E morri de rir com a cueca de 100 mil. Mas ainda sou mais a hipótese de que ele enfiou os maços de dinheiro em outro lugar...